domingo, 6 de junho de 2010

Recriar






Atravessou a porta do juízo e ganhou a rua.
Fora, a chuva lavou qualquer chance de grito
Guardou para si toda a dor; o vazio. Somente o vazio.
O vazio traçando rumos infindáveis dentro.

Porque era assim. Ao rio os pulsos, as horas.
Dissolvidos na água que fugia escura.
Porque nunca mais é ser tão triste.
Porque fechar a porta amputa tanta ternura.

Pensou em voltar e não. Tantas vezes. Até.
Mas a vida vai bordando escamas nesse “não”
E de repente a gente volta a flutuar...
Porque nada e tudo se aproximam tanto.


**Publicado no Secar ao Vento
(http://www.secaraovento.blogger.com.br/index.html), Edição lençóis.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Dá-me



Dá-me a mão. Puxa-me para ti.
Encosta o teu peito ao meu e aperta-me com força e com a doçura que só tu tens.
Deixa-me respirar neste carinho que paira, enquanto me beijas.
E sussura-me ao ouvido aquilo que o coração descompassado te conta.








Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 4 de maio de 2010

Morre lentamente



"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o escuro ao invés do claro e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade."


(Martha Medeiros)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Nos seus braços






Senti-me assim, como uma criança entre os teus braços. Sei que tentei fugir... Tolice minha!
Não se foge ao coração. E, felizmente, mostraste-me a tempo que não havia nada a temer e mesmo que haja, pões a tua mão na minha e as cores do mundo voltam.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Prece




Os dias estão se estreitando...
Estou cada vez mais anciosa, sem saber como me conter.
Estou entregando toda a minha força e a minha fé.
Acredito!
A reciprocidade me mantém mais que feliz.
Sendo assim, aguardo o concretizar, e este está muito próximo por sinal.
Que Deus abençoe começo, meio e fim.

sábado, 17 de abril de 2010

O Amor - Gibran Kalil Gibran


E alguém disse:
Fala-nos do Amor:-


Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele; apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor vos engrandece, também deve crucificar-vos.
E assim como se eleva à vossa altura e acaricia os ramos mais frágeis que tremem ao sol, também penetrará até às raízes sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva. Malha-vos até ficardes nus. Passa-vos pelo crivopara vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,para poderdes sero pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor, para poderdes conhecer os segredos do vosso coração,e por este conhecimento vos tornardeso coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,buscais apenas a paz do amor,o prazer do amor, então mais vale cobrir a nudez e sair do campo do amor,a caminho do mundo sem estações, onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo.
O amor não possui nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis que podeis guiar o curso do amor;porque o amor, se vos escolher,marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo se não consumar-se. Mas se amarem e tiverem desejos,deverão se estes: Fundir-se e ser um regato correntea cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura. Ser ferido pela própria inteligência do amor, e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo e adormecer tendo no coração uma prece pelo bem amado,e na boca, um canto de louvor.

Khalil Gibran

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Acabei de receber... lindo!!



Eu Amo Você


Danni Carlos

Faça suas curvas
Dê as suas voltas
Mas não fuja de mim
Mande suas esmolas e letras
Mensagens que congelam meu jardim

Seu medo é a faca que me mata
E essa lua cheia judia de mim
E o vento que procura nossos beijos
No baixo enquanto as pessoas
Fazem contas que não batem

Essa sensação estúpida
Essa sensação estúpida
De sentir e não dizer...

Eu amo você

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Por mim...



...



"...Em cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou..."

Tom Jobim